Semana passada foi gelada e com muita neve! Apesar da nevasca que atingiu o sul da Alemanha não ter chegado aqui, os termômetros insistiram em ficar lá no -8°C e a neve cobriu tudo de branco – dessa vez mais do que da primeira!
| Neve na frente do prédio da Unilever |
Quinta-feira foi a festa de final de ano de Savoury (minha área) da Unilever. Parece que todo ano tem um tema e a festa é a fantasia. Esse ano eles só pediram pra gente vir vestido de preto, até que foi fácil pra quem tem um guarda-roupas bem limitado aqui como eu. Nos encontramos todos na frente do prédio da Unilever às 17h (sim, já estava escuro) e recebemos alguns apetrechos como chapéus de bruxa, chifrinhos de diabo, tapa-olhos de pirata e tochas (de verdade!). Fomos caminhando sem saber direito pra onde, atrás do pessoal que estava organizando, e fiquei só imaginando que se eu topasse com um grupo de pessoas como aquele num dia qualquer ia achar que era coisa do demo! Haha devia estar bem engraçado de ver...
| A caminhada "do demo" |
Finalmente chegamos ao destino final e - surpresa! – a festa seria no Hamburg Dungeon, espécie de casa do terror situada em Hamburgo de mil oitocentos e peste bubônica. A visita ao Dungeon foi beeem sem graça, eu que sou medrosa nem levei susto, e depois tivemos um jantar que estava pior que a visita. Meu deus, como esse povo come mal... acabou o jantar e o DJ começou a animar a festa, mas não pude aproveitar horrores porque no dia seguinte tinha que acordar às 5:20 da manhã pra pegar um vôo!
Bom, não foi fácil mas acordei até de bom-humor (se isso for possível), afinal estava indo pra Paris!! Aproveitei que teríamos uma reunião lá na sexta-feira e me programei pra ficar todo o final de semana. O Sam, mexicano que trabalha na Unilever e mora no meu prédio, se animou pra ir também e no fim descolou uma hospedagem pra gente na casa de um amigo dele que mora lá. Aceitei de bom grado, tanto pela companhia quanto pela economia, porque tinha andado pesquisando os preços de hotel em Paris e lembrei que é simplesmente um escândalo!
Bom, depois do dia cansativo de trabalho, fui pra casa do Yousef (marroquino, amigo do Sam) encontrar com eles. Pra não chegar cedo demais parei numa brasserie e pedi um cappuccino. Olhei em volta e o povo no maior clima de happy hour, mudei meu pedido pra um Chardonnay e comecei o week-ende à Paris no melhor estilo! Terminei meu vinho, fui pra casa do Yousef e o Sam não tinha chegado ainda. Fiquei conversando com a Noufissa, namorada do Yousef e treinando meu francês. Foi chegando gente que não parava mais, e ficamos bebendo e comendo aperitivos até dar aquela preguiça e o povo desistir de sair. Esse povo sim sabe comer e beber! Só tomei vinho bom e só comi coisas gostosas em Paris, délicieux!
Sábado acordamos e estava nevando! Fomos andando até a torre Eiffel, que era bem pertinho do apê do Yousef.
Tomamos um café da manhã num café em Trocadero, garçom mal-educado, só pra constatar que estamos mesmo em Paris. De lá fomos pro Centre Georges Pompidou e vimos uma exposição do Mondrian – maravilhosa! http://www.centrepompidou.fr/Pompidou/Manifs.nsf/0/BCC6CE781B245AA7C125777D0054F13D?OpenDocument&sessionM=&L=2&form=
| Sam no Beaubourg |
Depois, seguindo uma dica da Pauline, aquela minha amiga francesa da Unilever, fomos almoçar num lugar fantástico: L’avant comptoir. É um corredorzinho de 5 metros de extensão dividido por um balcão: de um lado, a “cozinha”, de outro, os clientes todos em pé se amontoando pra tentar encostar e saborear as tapas com sotaque francês deliciosas que os cozinheiros preparam pra você na hora. Pra escolher, basta olhar pra cima onde estão pendurados cartazetes com a descrição de cada uma. Pra acompanhar, pães fresquinhos, manteiga, mostarda de dijon e picles à vontade no balcão, e uma boa taça de vinho recomendada pelo garçom/cozinheiro/dono. Sensacional. Acho que ficamos umas 2 horas lá dentro, batendo papo com os vizinhos de balcão. Metro Odéon, dobra a esquina, chegou. http://tmagazine.blogs.nytimes.com/2009/11/12/standing-room-only-lavant-comptoir-in-paris/
| O famoso balcão |
| Quando terminei as folhinhas o chef recolheu meu prato e ainda preparou o fundo da alcachofra pra mim! Quem me conhece realmente imagina a minha emoção, né... |
De lá fomos na Fragonard porque eu queria comprar mais do meu perfume de flor de laranjeira que já está no fim. Não sei se foi o vinho, mas acabei comprando um refil de 600ml e mais 2 presentes na loja. Saí feliz e contente com as minhas compras cheirosas. Depois um pulinho na Champs Elisées porque o Sam queria ir na Gap comprar um casaco. No fim, ele não comprou nada e eu aproveitei a economia do hotel e comprei presentinhos. Pros outros e pra mim, hehe. A avenida estava bonita e iluminada, mas insuportável: mercado de Natal, turistas, neve que virou lama, enfim, o caos. Nada chique.
Apesar do cansaço de tanto bater pernas, rumamos ao último programa do dia: um restaurante em Montmartre indicado pelo Dieter, outro amigo da Unilever (esse é belga, mas tinha ido pra Paris recentemente). Yousef e a Noufissa passaram pra pegar a gente e fomos pro restô, uma gracinha de lugar, e com garçons e garçonetes simpáticos dessa vez. Doudingue - 24 rue durantin 75018 Paris - http://www.restoaparis.com/fiche-restaurant-paris/doudingue.html. A fome nem era tanta mas óbvio que eu não ia deixar de comer, acho que comida boa assim nem conta as calorias, porque valem cada uma.
| Noufissa, eu, Yousef e Sam |
| Entradinha: poêlée aux cèpes |
| E o principal: gambas et risotto à la vanille |
Depois de uma boa noite de sono, acordei e fui aproveitar o fim do final de semana que ainda tinha faltando. O Sam já tinha ido, saiu cedo porque o vôo dele era de manhã. Tomei um café reforçado (garçom antipático de novo) e fui pra Rue des Francs Bourgeouois, que fica numa rua de comerciantes judeus e portanto abre aos domingos. Amei, todas as lojas cool e descoladinhas de Paris estão por ali, e apesar dos preços um pouco salgados foi gostoso pra encher os olhos.
Comi uma salada, tomei a última taça de vinho e voltei pro apê pra pegar a mala e ir embora. Ajeitei todas as compras, perfumes, presentes e quetais na mala, tranquei com cadeado e rumo ao aeroporto.
| Place des Vosges, no caminho |
| Lindo! De uma galeria na Rue des Francs Bourgeouois |
Comi uma salada, tomei a última taça de vinho e voltei pro apê pra pegar a mala e ir embora. Ajeitei todas as compras, perfumes, presentes e quetais na mala, tranquei com cadeado e rumo ao aeroporto.
Agora vem a parte trágica do final de semana: calculei mal o tempo do trajeto até o aeroporto e simplesmente cheguei tão atrasada que quase perdi o vôo. O que significa que pra poder correr e ainda pegar o vôo eu não pude despachar a mala. Eu ainda hesitei, mas a fofa da Lufthansa me falou: ou a mala vai na cabine e você deixa os líquidos pra trás, ou nada de embarcar pra Hamburgo hoje. Conclusão: o meu refil de 600ml, meu shampoo e meu protetor solar La Roche Posay ficaram com a moça da segurança, que ficou me olhando com uma cara de dó e falando, desculpa, não posso deixar você entrar com isso. Deve estar bela e cheirosa numa hora dessas, mas não teve jeito.
Ces sont des choses de la vie, fazer o que né? Em janeiro eu volto e compro tudo de novo, igualzinho! Salut et à bientôt!
