Saturday, February 5, 2011

Paris, toujours Paris

Semana passada meu pai teve um congresso no Egito. Como tinha que voar pra lá via Paris, resolveu vir um pouquinho antes e aproveitar o feriado em Paris, comigo. Tirei a segunda-feira off do trabalho. Foi ótimo. Afinal, minha passagem pelo Brasil foi tão corrida que nem tinha conseguido curtir ele direito.
Sábado peguei um avião cedinho e fui. Nos encontramos no aeroporto, e de lá fomos pro hotel. Uma graça o hotel, e super bem localizado, do ladinho de St German des Près e da Île St Louis. Da janela do quarto dava pra ver a Notre Dame,  ali do ladinho.

Hotel Colbert, é o ponto A no mapa

A entrada do hotel
Além do mais, colocaram a gente num quarto com cama de casal, e como não tinha quarto twin (com duas camas de solteiro) livre, acabamos indo pra suíte (quarto + sala com sofá cama) que ficava lá em cima, tipo ático com o teto inclinado. Um charme. E enorme!

O quarto

A salinha, à noite virava meu quarto

Como já eram quase 15h, saímos pra procurar um lugar pra comer alguma coisa ali perto do hotel mesmo. O arrondissement (a vizinhança) do hotel:


Acabamos achando um lugarzinho de quiches e tortas. Depois de uma quiche com salada, rachamos uma torta de frutas vermelhas que estava simplesmente uma delícia. Azedinha, pouco doce, deliciosa. Depois fomos caminhar ali por St Germain, as ruas lotadas de gente aproveitando as liquidações de Janeiro. Entramos no embalo, fizemos comprinhas e enchemos os olhos com aquelas coisas que só Paris, mesmo: chocolaterias que parecem galerias de arte, uma loja de azeites e tapenades e outra de roupinhas e acessórios pra cachorros e gatos!


Loja de doces árabes
 


Vitrine da loja de azeites e tapenades
 


Restaurante numa ruinha charmosa, perto do Odéon
 


A chocolateria que parecia galeria de arte - pirâmide de caixas de chocolate
 


Loja de roupinhas e acessórios para cães e gatos
 
Fora aquele charme e glamour que aquele povo esbanja, sentados nos cafés jogando conversa fora, do lado de um Rolls Royce brilhando.


À noite, fomos jantar num restaurante indicado por uma amiga minha, o L’Agrume. Pequenininho, simpático, com a cozinha invadindo o salão. Pedimos o menu degustação, que tinha sopa de aipo com azeite trufado, foie gras quente com figos secos, vitela com legumes na manteiga e uma mousse de chocolate branco com manga de sobremesa. O chef fica tão ali do lado que fiquei até com vergonha de pedir pra passar mais a carne e de pedir pra tirar a manga da sobremesa, porque eu sou enjoadinha J
Domingo fomos na exposição do Basquiat, no Musée d’Art Moderne, que é um museu que eu não conhecia. É enorme, tem um estilo grego, com colunas em toda a extensão, e uma escadaria na frente. Fica ali pertinho da torre Eiffel, só que do outro lado do Sena.

A exposição estava ótima. Muitas obras, várias salas, mas também pudera, a maioria das obras é enorme! E que combinações de cores!!! Amei! O cara era um gênio que cheirava cocaína e ia pintar. O resultado: figuras, palavras e cores num caos organizado, perfeitamente desarrumadas. As cores vibram, contrastam e pulam pra fora da tela!


O mais engraçado foi no final da exposição, que entramos sem querer numa sala com uma série de telas do Matisse que devia ter uns 15 metros de altura – bailarinas? Nem me lembro. Deitamos no sofazinho e ficamos descansando e olhando as bailarinas...
Depois fomos caminhar no Marais, onde eu sabia que tinha uma Fragonnard onde eu poderia comprar (de novo) o refil do meu perfume. Almoçamos numa brasserie simpática, e depois andamos pela Rue des Francs Bourgeouois, que eu tinha curtido muito da outra vez. Apesar do dia cinza, as ruas estavam lotadas, e as lojas também. Que saudades que eu tenho dessa vida na cidade num domingo; aqui parece que todo mundo se enfia nos lugares. Espero que a primavera não demore pra chegar esse ano.

Voltamos a pé pro hotel, atravessando pela Île-St-Louis.

Mais tarde, fomos jantar num restaurante super interessante, Le Coupe Chou. A casa é do século XIV, ou seja, mil trezentos e pouco. É um conceito tão louco pra nós brasileiros, né? O Brasil ainda tava longe de ser descoberto pelos portugas nessa época! A casa tem várias salas pequenas, a gente passou por umas 3-4 salas antes de chegar na nossa mesa! Comemos um cordeiro maravilhoso, com um vinho maravilhoso, e de sobremesa sorvete de café, chocolate e limão siciliano da Berthillon. Tudo de bom.
Segunda – dia de ir na exposição do Monet, no Grand Palais. Nós e mais metade da população de Paris que deixou pra ir no último dia!! A fila dava voltas, a gente por sorte tinha comprado pela internet, então ficamos só meia horinha esperando (debaixo de chuva). Nas salas, uma horda de gente na frente dos quadros, tinha que se enfiar ali no bolo pra ver alguma coisa, e se bobear muito, o povo já te leva automaticamente pro próximo quadro. Exposição enooooorme, mais salas ainda, mas Monet é Monet. Mesmo cheio de gente, mesmo com confusão, é lindo demais. Pra fechar, a série do jardim da casa dele em Giverny, que eu vi pessoalmente com o Fe em 2009. Saímos de lá às 17h!!!


Pra dar uma descansada, fomos tomar um chá na Ladurée, uma pâtisserie e salão de chá que tem os melhores macarons da cidade. O salão de chá, de 1862, foi um dos primeiros da cidade, idéia da esposa do maître-patisser, para ser um ponto de encontro das senhoras da alta sociedade, uma vez que os cafés eram ambientes masculinos, onde uma dama que freqüentasse não seria bem-vista. Os docinhos parecem jóias e o salão é um luxo, parece que você está tomando chá com a Maria Antonieta, em Versailles.

O balcão de jóias


O salão de chá



Macarons dourados
 

Macarons no balcão


Nossos doces


A vitrine
Depois mais uma voltinha pela Rue Royale, com um grupo de fotógrafos e jornalistas que estavam cobrindo a Semana de Moda de Paris em frenesi com alguma celebridade que estava saindo de um desfile por ali – Paris, toujours Paris...
À noite, mais uma indicação de restaurante da minha amiga parisiense, o L’Epi Dupin. Lugar “in”, pequenininho e cheio de gente, inclusive não tem perigo de faltar assunto porque você também pode participar da conversa da mesa à sua esquerda e da mesa à sua direita. O cardápio é uma lousa pendurada na parede, com 5-6 opções de entrada, prato principal e sobremesa, e você escolhe uma de cada. Comemos samosas de pato de entrada (deliciosos), cordeiro com legumes julienne e depois um petit gâteau com sorvete de verbena.
Devo ter voltado pra Hamburgo com uns quilinhos a mais, mas ahhhh as calorias valem a pena!!! Repito: esse povo sabe comer bem!!!
Pra quem ficou curioso, meu pai escapou do Egito são e salvo!! Viu tudo da janela do quarto do hotel: os manifestantes, os tanques do exército e tudo mais, mas conseguiu sair de lá sem ter que participar forçosamente dos protestos!

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